O público talvez esteja viciado em modismos. Como o de ler mais, valorizar os livros. Nossa arquitetura paulistana virou uma sobreposição de planos retangulares simples; a partir de certo momento nossas imagens vão de uma campo da consciência à outra. Temos de cuidar de nossas opiniões como se fossem os repolhos da plantação de casa. Muita gente planta repolhos, mas o repolho que é plantado no jardim de casa jamais será o da quitanda. Livro é livro, gente é gente, tabela é tabela. Quando há transferência significativa de significados, é preciso mudar o amor. O público é formado fora de casa, mas quando se chega em casa, o repolho na plantação doméstica continua lá. Amo a música. Mas a partir de certo momento se tornou um amor de canal: parei de ouvir música com amigos, parentes, de ir a shows, apenas delirava nas músicas que gostava. O amor por uma estante cheia de livros se torna uma paisagem doméstica. A partir de certo momento comecei a doar os livros que estava sem tempo para ler. A simplificação de projetos a partir de certo momento virou um contendor de orgulhos coletivos. A população precisa ser estimulada a ter coragem: fazer projetos bonitos com materiais simples.
Nós estamos muito mal-tratados.
Para compensar a ausência de sombras entre os planos retangulares da paisagem urbana, surgem os banners do comércio com cores puras; lembrando televisores. A cor luz competindo com as cores atmosféricas e naturais. A ausência de colorido forte virou risco de aspecto antigo. E esse retângulo de cristal luminoso chamado televisão, mp3 player, celular, cinema nos conta de um mundo que acontece com menos entusiasmo que um aquário e com mais ansiedade que uma fogueira. No meu gosto, um monitor seria uma extensão da luminosidade local. Uma tecnologia chamada paperwhite para e-books, preto e branco. Gostaria que existisse um paper-white colorido. Para diminuir o fascínio, em mim, da cor luz. A luz branca é uma das coisas mais bonitas, de repente, virou "carne-de-vaca". Luz branca num monitor poderia ser no máximo 5% de uma imagem em movimento.
Como vai a pintura? Me perguntam. Vai perdendo para as outras artes em tudo. E a saga das outras artes em concorrer com a pintura está desperdiçando a realidade, a beleza de se, verdadeiramente, horizontalizar a beleza no planeta. Essas TVs de LED são pura competição ao expressionismo. Quantas TVs caberiam num museu? E o que teriam a mostrar por tanto tempo? Já uma tela de Munch! Como justificar a diminuição do consumo de energia num monitor? De repente uma bateria de lítio num monitor de baixa luminosidade poderia durar meses!
O tamanho da beleza da cor luz ordenada em monitores de led estão nos desviando da beleza da informação organizada que a computação trouxe. O Facebook poderia ser muito melhor. Mas achamos bonita a luz clara no fundo dos quadrantes editáveis... Enquanto ficamos pensando no que escrever... De repente num equipamento de colorido semelhante a uma lata de biscoitos da década de 1960 poderia haver sofisticação suficiente para se desenhar de azulejos hidráulicos ao plano de iluminação de um show de música. Sabem no que a pintura ganha em tudo? É estática. E isso tem um significado imenso nos dias de hoje. É mais forte que veracidade de notícia em papel jornal. E, daí, passa a assustar por princípio de aproximação. Tiveram dias, recentemente, que passava longe de jornal. Ler um parágrafo já me impressionava muito. Entendia - tudo - o que estava acontecendo. Até parece... O público pode sufocar um veículo de comunicação. A partir do momento que me senti incomodado com os quadrinhos do Estadão, que lia diariamente como um descanso do restante das leituras... sai do sério, como diz o Cháves. O público faz o meio.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
O cinema do futuro
Governos tem espionado ligações de telefone celular.
Blade Runner é um filme experimental que virou cult. É de 1982. De repente, alguns anos atrás o diretor Ridley Scott resolver mostrar uma nova versão tal qual ele gostaria que fosse. O Exterminador do Futuro II, de 1992, anos atrás teve uma edição comemorativa que mostrava as cenas e as tomadas que não entraram em cena, com argumentos de roteiro diferentes.
Quando eu era adolescente tinha um tipo de livro com opções das páginas a seguir. Se você acha que o personagem deve fazer isso, vá até a página __. Se você acha que o personagem deve fazer o contrário, vá até a página __. Diziam as instruções de continuação de leitura do livro.
Quando eu era adolescente curtia a ideia de fazer uma pintura várias vezes. Comecei a pintura sobre desenho de observação de meu quarto. Cezánne pintou a mesma montanha dezenas de vezes, parece que foram 65 vezes exatamente, é o que o meu pai me disse.
Filmes como Balon Rouge, Blade Runner, Exterminador do Futuro II, com roteiros tão argutos e envolventes são prato cheio para acontecer no cinema o que as vezes aconteciam com os livros do passado: romances cujas edições seguintes mudavam o argumento do enredo. E parece que as pessoas liam as páginas e páginas para acompanharem o que havia mudado.
Eu assisti Exterminador do Futuro II dezenas de vezes. Assisti várias vezes Goonies, Hook, Uma babá quase perfeita, Superman I e II, O Baile, De corpo e alma (The Company), Uma garota irresistível, Batman Forever. São filmes que talvez facilmente pudessem ter novas versões que levassem o público a "pirar" sobre as possibilidades do cinema. E engrandecer a arte pelo significado da edição, do roteiro. Estamos vivendo um tempo onde profissionais menores, ou aspectos da arte dos diretores e roteiristas venham para frente na consciência do público. E semana a semana, mês a mês, bimestre a bimestre, semestre a semestre o público volte ao cinema para assistir o mesmo filme numa nova versão. Vamos supor o filme O cavaleiro das trevas.
O cavaleiro da trevas 1.0 versão atual
O cavaleiro da trevas 2.0 mostra com mais tempo a rebelião no presídio da delegacia
O cavaleiro da trevas 3.0 explora mais a questão entre o Coringa e o Duas Caras no hospital
O cavaleiro da trevas 4.0 mostra melhor a questão familiar do Gordon
O cavaleiro da trevas 5.0 valoriza mais o dilema das bombas nos dois barcos
O cavaleiro da trevas 6.0 mostra melhor a conversa coletiva antes da votação na balsa com os civis cujo resultado foi pela explosão da balsa com os presidiários, antes da meia-noite; quando o Coringa explodiria as duas balsas se nenhuma explodisse antes.
Dai, depois de um ano, na minha imaginação sobre o pretérito do futuro imperfeito, lançariam nos cinemas o Cavaleiro das trevas ressurge.
A quantidade de marcas que temos hoje é incompatível como o modo como elas estão sendo trabalhadas. Temos mais serviços de qualidade do que efetivamente é expresso, sobretudo em tecnologia da informação. Na arte talvez seja o mesmo: aumentaram o número de talentos sem especificarmos o que significa um ambiente com mais players artísticos por natureza de função.
Blade Runner é um filme experimental que virou cult. É de 1982. De repente, alguns anos atrás o diretor Ridley Scott resolver mostrar uma nova versão tal qual ele gostaria que fosse. O Exterminador do Futuro II, de 1992, anos atrás teve uma edição comemorativa que mostrava as cenas e as tomadas que não entraram em cena, com argumentos de roteiro diferentes.
Quando eu era adolescente tinha um tipo de livro com opções das páginas a seguir. Se você acha que o personagem deve fazer isso, vá até a página __. Se você acha que o personagem deve fazer o contrário, vá até a página __. Diziam as instruções de continuação de leitura do livro.
Quando eu era adolescente curtia a ideia de fazer uma pintura várias vezes. Comecei a pintura sobre desenho de observação de meu quarto. Cezánne pintou a mesma montanha dezenas de vezes, parece que foram 65 vezes exatamente, é o que o meu pai me disse.
Filmes como Balon Rouge, Blade Runner, Exterminador do Futuro II, com roteiros tão argutos e envolventes são prato cheio para acontecer no cinema o que as vezes aconteciam com os livros do passado: romances cujas edições seguintes mudavam o argumento do enredo. E parece que as pessoas liam as páginas e páginas para acompanharem o que havia mudado.
Eu assisti Exterminador do Futuro II dezenas de vezes. Assisti várias vezes Goonies, Hook, Uma babá quase perfeita, Superman I e II, O Baile, De corpo e alma (The Company), Uma garota irresistível, Batman Forever. São filmes que talvez facilmente pudessem ter novas versões que levassem o público a "pirar" sobre as possibilidades do cinema. E engrandecer a arte pelo significado da edição, do roteiro. Estamos vivendo um tempo onde profissionais menores, ou aspectos da arte dos diretores e roteiristas venham para frente na consciência do público. E semana a semana, mês a mês, bimestre a bimestre, semestre a semestre o público volte ao cinema para assistir o mesmo filme numa nova versão. Vamos supor o filme O cavaleiro das trevas.
O cavaleiro da trevas 1.0 versão atual
O cavaleiro da trevas 2.0 mostra com mais tempo a rebelião no presídio da delegacia
O cavaleiro da trevas 3.0 explora mais a questão entre o Coringa e o Duas Caras no hospital
O cavaleiro da trevas 4.0 mostra melhor a questão familiar do Gordon
O cavaleiro da trevas 5.0 valoriza mais o dilema das bombas nos dois barcos
O cavaleiro da trevas 6.0 mostra melhor a conversa coletiva antes da votação na balsa com os civis cujo resultado foi pela explosão da balsa com os presidiários, antes da meia-noite; quando o Coringa explodiria as duas balsas se nenhuma explodisse antes.
Dai, depois de um ano, na minha imaginação sobre o pretérito do futuro imperfeito, lançariam nos cinemas o Cavaleiro das trevas ressurge.
A quantidade de marcas que temos hoje é incompatível como o modo como elas estão sendo trabalhadas. Temos mais serviços de qualidade do que efetivamente é expresso, sobretudo em tecnologia da informação. Na arte talvez seja o mesmo: aumentaram o número de talentos sem especificarmos o que significa um ambiente com mais players artísticos por natureza de função.
domingo, 7 de setembro de 2014
Exemplo de Recibo Eleitoral
Façam doações. À mim e às outras campanhas. É um dos principais jeitos da política melhorar; acreditem.
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