Governos tem espionado ligações de telefone celular.
Blade Runner é um filme experimental que virou cult. É de 1982. De repente, alguns anos atrás o diretor Ridley Scott resolver mostrar uma nova versão tal qual ele gostaria que fosse. O Exterminador do Futuro II, de 1992, anos atrás teve uma edição comemorativa que mostrava as cenas e as tomadas que não entraram em cena, com argumentos de roteiro diferentes.
Quando eu era adolescente tinha um tipo de livro com opções das páginas a seguir. Se você acha que o personagem deve fazer isso, vá até a página __. Se você acha que o personagem deve fazer o contrário, vá até a página __. Diziam as instruções de continuação de leitura do livro.
Quando eu era adolescente curtia a ideia de fazer uma pintura várias vezes. Comecei a pintura sobre desenho de observação de meu quarto. Cezánne pintou a mesma montanha dezenas de vezes, parece que foram 65 vezes exatamente, é o que o meu pai me disse.
Filmes como Balon Rouge, Blade Runner, Exterminador do Futuro II, com roteiros tão argutos e envolventes são prato cheio para acontecer no cinema o que as vezes aconteciam com os livros do passado: romances cujas edições seguintes mudavam o argumento do enredo. E parece que as pessoas liam as páginas e páginas para acompanharem o que havia mudado.
Eu assisti Exterminador do Futuro II dezenas de vezes. Assisti várias vezes Goonies, Hook, Uma babá quase perfeita, Superman I e II, O Baile, De corpo e alma (The Company), Uma garota irresistível, Batman Forever. São filmes que talvez facilmente pudessem ter novas versões que levassem o público a "pirar" sobre as possibilidades do cinema. E engrandecer a arte pelo significado da edição, do roteiro. Estamos vivendo um tempo onde profissionais menores, ou aspectos da arte dos diretores e roteiristas venham para frente na consciência do público. E semana a semana, mês a mês, bimestre a bimestre, semestre a semestre o público volte ao cinema para assistir o mesmo filme numa nova versão. Vamos supor o filme O cavaleiro das trevas.
O cavaleiro da trevas 1.0 versão atual
O cavaleiro da trevas 2.0 mostra com mais tempo a rebelião no presídio da delegacia
O cavaleiro da trevas 3.0 explora mais a questão entre o Coringa e o Duas Caras no hospital
O cavaleiro da trevas 4.0 mostra melhor a questão familiar do Gordon
O cavaleiro da trevas 5.0 valoriza mais o dilema das bombas nos dois barcos
O cavaleiro da trevas 6.0 mostra melhor a conversa coletiva antes da votação na balsa com os civis cujo resultado foi pela explosão da balsa com os presidiários, antes da meia-noite; quando o Coringa explodiria as duas balsas se nenhuma explodisse antes.
Dai, depois de um ano, na minha imaginação sobre o pretérito do futuro imperfeito, lançariam nos cinemas o Cavaleiro das trevas ressurge.
A quantidade de marcas que temos hoje é incompatível como o modo como elas estão sendo trabalhadas. Temos mais serviços de qualidade do que efetivamente é expresso, sobretudo em tecnologia da informação. Na arte talvez seja o mesmo: aumentaram o número de talentos sem especificarmos o que significa um ambiente com mais players artísticos por natureza de função.
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