sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O que São Paulo pode melhorar

O que São Paulo pode melhorar
São eleições daqui a 9 dias. Pude viajar nesses últimos quatro anos para Iguape, Porto de Galinhas, Rio de Janeiro, Niterói, Brasília, Porto Alegre, Serra Gaúcha, Santos, Praia Grande, São Vicente, Santana de Parnaíba, Mogi das Cruzes, Santo André, São Bernardo do Campo, Embú das Artes, Osasco, Carapicuiba. Em São Paulo estive em Parelheiros, Campo Limpo, Guaianazes, Vila Ré, Cidade Líder, Belém, Carrão, Capão Redondo, Jaraguá, Vila Curuçá, Ermelino Matarazzo, Vila Nova Cachoeirinha, Brasilândia, Freguesia do Ó, Itaquera, Bosque da Saúde, Tucuruvi, Jardim Vaz de Lima, Cidade Tiradentes, Cidade Líder, Vila Formosa, São Miguel Paulista, São Mateus, Mooca e tantos lugares ainda fiquei por conhecer e que são importantíssimos na cidade como Heliópolis, Perus, lado norte da marginal Tietê, Interlagos, Sacomã. E o que já conhecia é difícil de dizer.
Foram quatro anos onde pude perceber níveis de poder que são próprios de nossa paulistanidade.
Após a aprovação do Plano de Diretrizes Estratégicas, tem algumas características da cidade que não dá para entender. Como calçadas com alguns metros escuros, logradouros revirados, ausentes ou arrancados. A localização é um fator de poder na cidade. E o que vou tentar desenvolver nesse texto é que antes poderia haver a naturalidade.
Estive no Rio de Janeiro semana passada, fui lá prestigiar o fim das Paralimpíadas. Dentro do Museu do Exército no Forte de Copacabana, tem telefones públicos. Em Shoppings de São Paulo não há com facilidade. Telefone público é poder. Liga a cobrar, liga sem ser identificado, liga para 0800, liga para o Brasil inteiro. No Terminal Dom Pedro II em São Paulo, há uma fila de quatro telefones públicos num corredor longíncuo de transeuntes da calçada paralela que agrega grande quantidade de pessoas em situação de rua. Um está quebrado, a fileira, num local com baixa iluminação. Por quê num terminal urbano de transporte falta paz para fazer uma chamada telefônica? É típico de São Paulo as fileiras de telefones ou a ausência deles. No Rio de Janeiro, na estação Estácio de metrô é onde fica bem pertinho a prefeitura. Fica a uma quadra da estação. Dentro da estação, do lado de fora das catracas tem telefone público e caixa dos Correios. Em São Paulo, as caixas de Correios são quase que uma opção a parte da disponibilidade das calçadas e dos Correios para nós. É legal essas localizações pouco estratégicas. Trazem um charme e descontração para cidade. Mas também há a necessidade de termos caixas de Correios em ambientes que valorizem a comunicação escrita. Nossa cidade é muito especial na produção editorial e acaba errando por desvalorizar fragorozamente a comunicação escrita entre pessoas próximas.
Cito a caixa postal coletiva corporativa no terminal Rodoviário de Porto Alegre, a caixa postal dos lojistas da rodoviária. Não temos isso em São Paulo. Afastamos o poder das pessoas. Poder, antes, que é de natureza de comunicação simples. QUando escrevemos, pensamos melhor no que dizemos. São Paulo é uma cidade que aprofundou-se na comunicação, antes, audio-fônica. Para falar com a portaria, tem o interfone num portão. Se tem o interfone e a caixa postal, o atendimento seria outro. Isso tem poder de mudar as pessoas. Eu vejo por outro lado. A natureza da comunicação humana é assim. Nós é que estamos nos privando das opções que dispomos. Na natureza, uma árvore que não é resistente a nevasca se desenvolve nos trópicos. Em São Paulo, se fosse possível plantar dessas árvores, não as plantaríamos sob o risco de numa nevasca, a árvore ser arrancada. Enquanto isso, é comum na cidade semi-precipícios em passarelas de acesso ou de construções civis.
Há na avenida 9 de julho, perto do viaduto Maria Paula, uma quadra de basquete. No viaduto paralelo tem um precipício. Mas a chegada ao viaduto Maria Paula é meio assustadora pelas ermas que lá perto somam. Isso porque não são quadras médias que formam essa quadra, mas quadras longas. Poderia ser construido no lugar da quadra de basquete um Centro de Referência do Idoso. O Atual CRI é um prédio debaixo duma ponte, acho que da ponde do Chá, é um lugar tenebroso. Nunca tive coragem de entrar lá. Tinha que ser o C.R.I. um ambiente parecido com o Centre George Pompidou sem museu.
O comércio de alimentos nas redondezas da Câmara Municipal é micho. Era para termos diversos restaurantes bons e baratos na rua Santo Antônio, na rua Maria Paula. E mais comércio chique.
Não entendo a natureza de ruas comerciais em São Paulo. Isso configura feiras permanentes. Numa cidade com problemas para fazer chegar comércio diverso nas periferias, essas ruas de comércio se configuram formações atípicas a uma necessidade de descentralizar a oferta. Viajar até a rua das noivas para conseguir um bom vestido de noiva poderia ser substituido por duas ou três opções de boa qualidade na sua região.
Outra coisa que poderia melhorar na cidade seria estabelecermos uma cultura de agendamento. Para quase tudo se fazer agendamento. É constrangedor vivermos meios de manhãs e tardes com milhares de pessoas nas ruas sem sabermos se estão trabalhando. Muitas vezes simplesmente estamos indo resolver alguma coisa. Mas a cultura de agendamento é superior porque não só dá argumentos para as pessoas que estão nas ruas em hora de trabalho, como também traz uma cultura de ser esperado. A priori, o atendimento é personalizado. Pelo sim, pelo não, quando se agenda se cria um ambiente me melhor prevalência. O que é ser uma atendente de Centro de Atendimento ao Trabalhador? De repente há 20 opções de emprego a se oferecer a uma pessoa. Se o cidadão agenda, provavelmente a atendente escolhe 3 opções para, no dia, avaliar o melhor encaminhamento. E há ainda nesses espaços opção para capacitação, que não nos são informados.
Nossa cidade pode melhorar se não temermos demanda. De nos treinarmos para reclamação... Dos dois lados da conversa. Falta uma árvore num rua. Vai no Serviço de Atendimento ao Cidadão e solicita. Os garis são tidos pela pior profissão. E por isso super respeitados. Acho que é a única profissão vulgar com sentimento corporativo na população. Não há o mesmo para manutenção de elétrica, arvorismo, cata-bagulho. Se tememos demanda, e acho que isso é verdadeiro, talvez seja pela posterior reclamação de demora. Oras, façam-se listas de demanda por tipo de serviço; se depois de oito meses ficar aquela demanda inicial sem plantar uma árvore, separa-se um caminhão só para esse serviço. Tem muito cepo de árvore não arrancado na cidade. São as únicas coisas que podem melhorar a cidade: ações de higiene. Arranca o cepo, deixa a terra bem batida. Demora mais oito meses para a turma de calçadamento fazer a calçada, é melhor do que está hoje!
A indústria se vale de um sistema chamado ERP, se não me falha a memória, para monitorar estoques de produtos nas supermercearias. São acordos que tem entre o comércio e a indústria. Oras, não fazemos isso com o lixo urbano! Tem muita papeleira lotada de lixo. Quando lota, o cidadão, a cidadã deveria ter a opção de ligar pro SMS da Limpurb e informar por meio do código da papeleira. A prefeitura nem nos informa que o nome da lixeira é papeleira! O mesmo ônibus, o ônibus está lotado, liga pro SMS da SPTrans avisando. Desconhecemos o que dá justa causa numa demissão, mas muitas vezes nossa capacidade de comunicação com quem pode nos oferecer um serviço melhor é despistada. Já imaginou ligar pro 0800 de uma viação simplesmente para informar que um ônibus está lotado?
Nossa cidade melhoraria se tivéssemos  caixas dos Correios em cada estação de Metrô, CPTM e Linha 4. Se nossos pontos de ônibus tivessem nome ou número. Se nossos pontos de ônibus avisassem quais linhas de ônibus passam naquele ponto. A cidadania se conquista. Há muitas simplificações de informações que carecem de mais texto explicativo. A SPTrans fez um adesivo com códigos de tempo mínimo e máximo de espera nos picos da tarde e da manhã e aqueles adesivos antigos ficavam com 30 cm de espaço em branco e nós tendo que entender o que era T e o que era M na tabela.
Nossa cidade melhoraria se dispuséssemos mais mapas por regiões ou bairros, sem medo de excluir outras áreas. Não temos muitos mapas orientativos ou turísticos. o Mapa das Artes faz o seu. Mas são inciativas poucas e isoladas. Se um mapa te inclui num raio de percepção que inclui pontos de ônibus, regiões ou bairros vizinhos, orientação da onde fica o centro da cidade e pelo menos uma estação de Metrô, CPTM ou Linha 4, resolveu a questão da exclusão de outras áreas da cidade. Ai, focasse no comércio, na hotelaria, nas mercearias, nas igrejas e demais templos religiosos, nas escolas, museus, pontos-de-táxis, restaurantes. Daí, dá para conhecer outros lugares.
A cidade conta com uma rede de museus que pera pela bandeira Museu da Cidade. São mais de trinta museus. Não tem mistério. A cultura, antes, é funcional. Faltam museus funcionais na cidade. Do pássaro, do migrante, da rocha, da burocracia, do índio, da história da indústria na cidade, do esgoto, da higiene, da distribuição de água, dos bandeirantes, do Exército, da Polícia Militar, da televisão, da fotografia, do peixe, da pesca, da fauna, do leite, das verduras, do abastecimento, das asfaltagem, da imprensa, do juiz. Faltam lugares na cidade para nos esquecermos de nós mesmos. De valorizarmos o que nos sustenta. Nossa cidade carece de áreas de ventas aos significados. Muitas vezes somos rolos de significantes tentando nos entender. E a cidade não tem pouco museu não. Temos o Museu do Transporte Público, que poderia ter mais sobre o transporte sobre trilhos. Temos o Museu do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil, do Instituto Biológico. Mas se não dissermos para nós mesmos: isso aqui faz parte do Brasil! A gente esquece. Porque a cidade tem seu próprio ritmo, seus próprios desafios. A gente esquece até da Grande São Paulo. E isso não é legal, mas é real. Se não investirmos em consciência, o Brasil sofre com São Paulo e São Paulo sofre com o Brasil. E contudo, há em São pessoas mais doces e simples que no Rio de Janeiro ou em Brasília. Não podemos temer que a nossa dose de poder administrada por nós nos trará mais segurança e não mais instabilidade. O poder que há em algumas pessoas no Rio de Janeiro e em Brasília, não tem em São Paulo. Mas isso não significa que nosso lado do poder, se nos permitirmos mais poder por ações simples de comunicação e estratégia urbana de veiculação de seus meios - se é que é isso que faz algumas pessoas assustadoramente poderosas - venha a candir, a candurar, a transmitir candura e tenhamos nosso lado do poder a oferecer à outros lugares que sofrem mais gravemente do que nós. Vi pessoas sombrias em Porto Alegre, moderadamente sombrias mas sombrias... um tipo de sombras que não chega aqui. No Rio de Janeiro, pessoas com os olhos metálicos como cor de bronze, o mesmo vi em Brasília. Em Santos, pessoas secas no semblante dos olhos. Nossos sedimentos sociais paulistanos talvez nos façam nos proteger. E nos protegemos. Mas uma cidade suspeito que seja um formação universal de desenvolvimento e segurança e o que nosso País precisa de nós é que dentro de nossa área de conforto, que inclui muitas pessoas largadas a própria sorte doméstica, é que tenhamos a capacidade de dizer para cada morador desse estado: venham para cá por um tempo, depois voltem para da onde vieram. São Paulo agrega as pessoas que são do estado, que não se apresentam enquanto tal. Mas as piores pessoas que existem talvez sejam pessoas que estão ilhadas nas roças sem ter meios de chegar até suas cidades de municípios natais. Se temos hotéis baratos, como em Santos e São Sebastião, podemos dizer: venham nos visitar. E esses roceiros que estão enfurnados em suas consciências coletivas, caldificando ordens e valores de maneiras imensuráveis... sem compartilhar com as pessoas das cidades... não existem o homem rural. Existe o índio; não sei pensar sobre esse aspecto. Talvez mesmo os índios atualmente precisem, necessitem ir aos centros urbanos de vez em quando; todos eles e elas. Mas o homem rural é um tipo de pessoa que vai e vem da cidade. A cidade é a célula elementar da disposição da saúde mental da humanidade. Se um negócio se torna insustentável, talvez seja missão das capitais criar dispositivos de desejo da pessoa sair da onde está e vindo para capital, os concidadãos encaçaparem essas pessoas para um passeio em suas próprias áreas urbanas. As pessoas que vivem no campo são destinadas a mais bençãos que as que vivem nas cidades. Mas quem só vive no campo fica comprometido. No Brasil, não sei como construir um capitalismo onde todos os caminhos levem à Brasilia. Mas, também que, dentro de cada unidade federativa, as pessoas tenham como contribuir para que em recebendo um cartão postal um cidadão ilhado numa roça se sinta parte de algo que está ao seu alcance e por teima ou falta de recursos, encontre forças para se revivificar nas candeias de vigília mais iluminadas das cidades; que nunca são construidas de baixo de colinas. [assunto meio que religioso, não saberia citar a Bíblia com facilidade mesmo a consultando, por isso mudei a cor da fonte]
Nossa cidade precisa de mais bancos em lugares públicos.
E precisa de mais afinidade com Brasília. O governo Kassab acabou tentando transmitir uma regra comum única para as calçadas. Calçadas estas que faltam enterrar fios elétricos e plantar árvores. Nossa cidade conta com poucos estudos, aparentemente, de desenvolvimento de árvores de copas baixas. Como a espécie pata-de-vaca.
Talvez faltem shoppings nas periferias. Centros de conforto e segurança para as pessoas fazerem compras. As vezes duvido que exista harmonia entre comerciantes de shopping e de rua. Não podemos perder de vista que parte do comércio vem o desenvolvimento da cidade. E o texto vem a ser o que temos para fazer que a performance e o desempenho da sociedade como um todo sejam melhor.
Nossa cultura está muito orientada para fazer as pessoas se concentrarem no celular. O preço do ingresso de cinema, a comunicação visual, a propaganda. As vezes falta nos colocarmos mais para fora. A segurança está na sociedade. Se nossa sociedade cresceu é dando limites para o nosso bem-estar que encontraremos como amar o próximo como a si mesmo abrindo caminho, assim, para que surjam os nossos milionários, donos das nossas empresas.
 

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