Nas décadas anteriores a minha infância, bolo era uma figura de linguagem para definir o produto interno bruto, o conjunto de riquezas da nação. A frase era a seguinte: primeiro o bolo tem de crescer para depois repartir o bolo entre as pessoas. Atualmente vemos dois fenômenos: a meta como limite e a lei como forma do bolo do PIB. De modo que ser a favor da alteração de leis possa significar, imediatamente, ser "contra" o mercado. O mercado nacional está mais de acordo com as leis que com os movimentos e fluxos internacionais. E é difícil colocar nesses termos porque os ajustes econômicos da década de 1990 nos colocaram mais de acordo com as regras internacionais financeiras e menos de acordo com a característica puramente cambial dos bancos brasileiros.
É preocupante as fixações em lei de gastos. 60% com funcionalismo. 10% com educação. O capital está em função do tempo e da produção. Quando o capital está em função das pessoas, ou em parte do que as pessoas podem fazer, o tempo e a produção (que é regido pelas pessoas), fica em segundo plano. Há uma ordem orgânica das coisas que fica desorganizada.
Sendo mais objetivo, temos a lei Kandir, que isenta de ICMS a produção gráfica, petrolífera, entre outros tipos de produção. Considerando o volume de combustíveis que importamos ano a ano, vou me ater a indústria gráfica. A necessidade de educar o povo, de melhorar o nível intelectual.
Oras, acreditamos mais em Big Bang que em Gênesis. A natureza virou uma questão maior que a expressão do povo de suas próprias impressões da natureza. A natureza virou questão global. Em Gênesis diz a Bíblia Sagrada que o universo foi criado em um ou dois dias. Preferimos uma teoria que diz que o universo foi criado em segundos? O fator tempo também está nesses detalhes.
A produção editorial e gráfica, liberada de ICMS, virou um grande mercado, onde se consegue trabalhar alguns diriam. E a opinião pública na imprensa, num moto-contínuo, fazendo a cabeça do público quanto a necessidade de mais livros.
Se fizermos uma forma com formato de estrela, o bolo será em formato de estrela, o mesmo para os formatos de dinossauro, floreira, boneco. E depois, como reencaixar um bolo-estrela numa forma de dinossauro? Nossos congressistas vivem com esses dilemas. Nossos administradores de empresas, nessa expectativa. Nossos trabalhadores, nessa zona de conforto para os trabalhadores.
Nossas obras de infra-estrutura carecem de pedras maiores. As construções marítimas norte-americanas, claro que num provável esforço de guerra da segunda-guerra mundial, fabricou soluções de aterros marítimos com uma quantidade de pedra inimaginável para qualquer obra brasileira. O obelisco de Washigton D.C, dedicado ao ex-presidente George Washington, tem n tipos de amostras minerológicas. Provavelmente conhecemos menos do que deveríamos as nossas pedras, porque ainda estamos no mercado sem uma solução de pedra entre a densidade da pedra sabão e do granito. De modo que nossa expressão do aprendizado classicista provavelmente ficou subjugada a nossas soluções de colunas de pedra retalhada empilhada, como há na reconstituição da vila de São Vicente na mesma cidade.
O livro no Brasil ainda é caro. Soluções econômicas ainda estão subjugadas a "práticas" de mercado, como o papel sulfite para impressão de livros de bolso. Ou a fabricação de apenas um tipo de papel jornal que, para livros, com um pouco mais de qualidade, serviria a livros mais econômicos. Há, também, o insumo como definidor de mercados. A formação de demanda anterior a caracterização da oferta.
O ganho em volume e a formação de volume talvez esteja entre a encomenda de cinco edições ou algo que represente todas as edições de um ramo editorial. A briga é para que quando surja cinco edições de livros com papel jornal de melhor qualidade, isso seja viabilizado sem prejuízo. Menos lucro talvez seja o caminho para redução de preços e isso precise ser verificado.
Para o bom entendedor, algo que faça que com a unificação do IPI com o ICMS os livros venham a ser lucrativos, mais baratos e colaborem com a soberania dos institutos brasileiros de pesquisas ao aliarem num só tributo a produção agropecuária e a fabril; algo inatingível a qualquer instituto de pesquisa estrangeiro identificado.
Correção: até temos os livros de bolso impressos com papel-jornal, talvez a questão seja outra, o limite desse tipo de insumo para livro de bolso, e não livros em geral. Disseminar a leitura fora do ambiente de leitura é um objetivo especifico de mercado que jamais deveria balizar a confecção dos outros tipos de produtos similares. Ainda estamos sem edições "de mesa" vários livros de bolso.
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