Está passando um belo filme estrelando a Shirley McLaine na TV Cultura agora, um filme de 1969... ela em muitos momentos parece infantil... me fez lembrar de Cristo quando diz por meio dos evangelhos para sermos como crianças, ou que somos como crianças no reino dos céus... Me parece que muitas vezes as pessoas levam isso ao pé da letra. Minha interpretação é de que, quando percebemos algo de infantil em nós mesmos, respeitarmos isso em cada um de nós. No filme, a atriz sabe expressar essa nuança.
dedico esse texto ao governador Geraldo Alckmin
Estive em Brasília em abril desse ano, lá estive diante da Procuradoria Geral da República, sede do Ministério Público inclusive. Na placa de identificação dos edifícios, essa informação apareceu após o terceiro parágrafo, dado que o primeiro, segundo e quinto parágrafo da placa eram dedicado a arquitetura e a Oscar Nyemaier.
Incomoda a reverência dos espaços institucionais de Brasília à Nyemaier, mas percebo que há uma razão de o ser.
Um dos grandes dilemas da primeira metade do século XX foi constatar possibilidade de aumentar o ritmo do progresso. E que orientação seguir? E isso para nós brasileiros é profundamente inquietante, porque o país é grande. Um padrão é assustador. E nisso o federalismo poderia nos ajudar a evoluir.
Virou um molde do progresso: residência com televisão grande, aparelho de som potente. E deixamos de lado batentes de porta e janela grandes, águas dos telhados, tratamento das calçadas. Os meios de comunicações invadiram nossos estilos de vida. E o homem no centro do universo, até mesmo pelo encanto das pessoas com a psicanálise, nos levaram a um antagonismo artificial entre indivíduo e coletividade.
O Deus está no centro do universo e demonstrar isso sem parecer individualista com Deus parece difícil. Porque mesmo o nosso encantamento com as artes audiovisuais está extremado, com a reflectologia de identidades entes personagens e espectadores. E se alguém puder ser Deus no lugar do centro do universo, estaríamos perdidos. Ai vem Jesus Cristo, alguém que foi homem, Filho do homem. Se Jesus Cristo estivesse no centro do universo... Não seria um nome ou uma pessoa, mas um infinito de significados.
O que vale lembrar... o universo não é pequeno. A ciência pode estar perto do centro, por exemplo.
O aumento do ritmo do progresso nos fez pensarmos em mais quadras sem pensarmos no significado do espaço urbano. Urbanismo é igual edição de texto: pequenas variações mudam significativamente o conteúdo da forma da mensagem.
Espaço é uma mensagem em urbanismo.
Em Carapicuíba estive na avenida principal norte-sul chamada av. Inocêncio Seráfico. Em duas quadras dessa avenida há um recuo em duas quadras, onde há um posto de gasolina. O charme, a atmosfera dessa área é mais encantadora porque há espaço.
E o quanto na arte construtivista o espaço era um assunto prioritário quando surgiu a arte construtivista. De modo que é difícil para mim escrever enquanto pintor: faço construtivismo sem espaço.
O espaço social no desenho urbano é uma necessidade de reflexão coletiva.
Em Santos, há a praça da Independência. Um lugar gostoso onde as pessoas fluem numa certa desenvoltura.
Em São Paulo, o calçadão da avenida Paulista faz as pessoas pensarem.
Em Campos do Jordão, a série de ladeiras paralelas no centro da cidade transmitem o pensamento de alternativa.
Em Ilhabela, a grande avenida no bairro da Barra Velha sentido Perequê traz novamente o espaço amplo como campo de discernimento social.
Em Iguape, há praças menores e mais praças por bairro. É uma cidade histórica.
Em Rio Grande da Serra, as ruas largas em vilas pequenas transmitem a segurança da instauração do que hoje chamamos de bairro.
Alguns lugares importantes da cidade de São Paulo foram desenvolvidos mesmo sem o planejamento de grandes avenidas. Há uma avenida ao sul próximo da marginal Tietê, mas ao norte próximo da mesma marginal, não há.
Está na Constituição paulista que cada município é responsável pelo desenho urbano. É inviável termos 645 urbanistas excelentes, conhecedores das particularidades de cada município. Há 17 macrorregiões em São Paulo. Seria mais exequível termos conselhos urbanos por macrorregião com várias etapas de aprovação entre município e macrorregião, provocando um pingue-pongue onde, numa insatisfação cabal de um município, fosse feita uma solicitação de intervenção estadual no projeto.
Suspeito que nossa insensibilidade ao urbanismo veio junto com a instalação dos meios de comunicação de massa. Quando o truque do ver e ser visto se torna superior a elaboração do conteúdo da mensagem, a população perde a confiança em si mesmo. E as necessidades básicas vem a tona.
Estive em São Miguel Paulista e fiquei impressionado como o comércio de lá é forte. Nas avenidas principias, de cada trinta imóveis, dezenove são comércio. E a maioria, dedicada a alimentação e vestuário.
Indaiatuba, cidade que tem distrito industrial, há pouquíssimos restaurantes, lanchonetes e bares.
O projeto, o plano de mundo expresso na Bíblia Sagrada no Novo Testamento é: todas as pessoas bem alimentadas e bem vestidas. Está lá, não anotei o livro e os versículos, mas está lá na Bíblia.
Nós, paulistas, provavelmente já conquistamos essa etapa. O a mais está a nossa disposição. Quem queremos ser? O que estamos dispostos a fazer de doação de conforto à melhorarmos de qualidade de vida?
O êxtase de aquisição de um produto novo e tecnológico é inferior a construção de um ambiente melhor ao nosso entorno.
Ceder sua residência para construção de uma praça ou avenida, receber do governo o pagamento pelo imóvel e se mudar para um lugar perto de uma praça pode ser uma solução. É claro, há coisas difíceis de conversar em casa.
Mudando de assunto. Já li que Maomé era cristão e que cada um de seus muitos filhos reinou sobre uma nação diferente. Vamos pensar nos tempos recentes. Imaginem uma hipótese sobre o passado. O ex-presidente Lenin haveria deixado quinze filhos, cada um governando uma nação soviética. Os líderes árabes atuais são remanescentes dessa estrutura, não hipotética, mas real, de poder deixada por Maomé.
O Monte de Sião, que é onde Jerusalém está, é onde se decide tudo há milênios - inclusive assunto de natureza geo-política. O Monte de Sião está dividido em dois, entre judeus e palestinos. Sendo que os palestinos, por herança de Maomé, tem o cristianismo transformado em sistema hereditário em sua estrutura de governança. Imaginem se a Igreja dissesse que cada um dos capitães hereditários fossem filhos de Pedro Álvares Cabral, porque Cabral, no entendimento do povo, era o grande cristão da época e a população aceitasse até hoje que os herdeiros de Cabral governassem cada estado brasileiro?
Não sabemos resolver essa questão cultural do oriente. E o Monte de Sião unido, é tudo o que mais queremos, todos nós acredito. Sem subdivisões administrativas nacionais.
Sou pouco informado, peço que verifiquem bem o sentido, a veracidade e aonde se encaixa o que escrevi nesse brevíssimo ensaio na própria complexidade do oriente-médio que tem mais religiões que o islamismo.
O Brasil jamais será um anão diplomático. O ataque como melhor defesa é uma prática constante aqui a algum tempo. E nossos políticos árabe-descendentes eleitos democraticamente são muitos. A primavera árabe trouxe um sentimento de evolução mundial por meio da democracia. É irreal. A própria democracia americana está ameaçada com o advento da internet. Não que seja substituída por outro sistema, mas a funcionalidade própria do melhor do sistema democrático. Nós brasileiros, de um modo diferente, colocamos também a família no centro do universo muitas vezes.
Nós, brasileiros, muitas vezes tratamos os outros povos sem o devido cuidado porque aqui começou um novo povo. Os morenos. É difícil os morenos entenderem que pros demais entender a cultura do país estrangeiro é um jeito de entender a si mesmos. E o novo povo que surgiu tão distintamente em cada estado: há as faces baianas, pernambucanas, alagoanas, fluminenses, mineiras, maranhenses, e paulistas talvez as aja, estou escrevendo da capital do nordeste... ainda viceja a expressão de uma identidade própria, livre, bela.
Somos a capital de um estado brasileiro e o aeroporto internacional fica numa cidade vizinha sendo que poucas cidades paulistas são mencionadas no cotidiano da comunicação social paulistana. Vivemos tensões culturais fortes e discretas. E a ausência de mensões diretas às outras nações em São Paulo faz falta... e apenas os antagonismos prosperam: EUA & Rússia, Japão & China e Coréia, França & Alemanha, França & Inglaterra, Cuba & Estados Unidos, Índia & Paquistão. E a Indonésia?
Conclusão: antes o urbanismo. A industrialização seria consequência natural. Espaço, num país e num estado do tamanho do nosso... é um assunto prioritário.
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